Sued, o deus do avesso
- arquivo de memórias
- 24 de jan. de 2017
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Povo dado a crendices… Eu falei que esse negócio de deus era complicado, que tem coisas com as quais é melhor não mexer, que cada um seguisse com sua fé. Que nada, ninguém me ouviu.
Eu, que acredito, sim, em uma coisa – na desumanidade do ser humano em coletivo, quando se transforma em humanidade – acabei entrando no ritual só para não dizer que não tinha entrado. Sabe como são essas coisas, depois cara sai falando que a gente não participa, não veste a camisa, você começa a ficar isolado. E o importante para sobreviver é fazer o jogo do contente, dizer que está tudo bom, tudo muito bem, que um é lindo, o outro é inteligente, que a ordem é o máximo, as regras estão aí para serem respeitadas, aplaudidas e olhadas com vista grossa.
Acaba que vista grossa faz quem hoje passa por nós. Acham que somos obra de algum artista. Mal sabem que dia daqueles acabamos celebrando o deus certo – ou errado, do meu ponto de vista empedrado – que ouviu nossas preces, mas devia ter acordado do lado errado da cama, de ovo virado, do avesso. Em vez de nos mandar colheitas frutíferas, chuva e sol bem dosados, virgens suecas, córregos límpidos e mapas do tesouro, fez isso aí conosco. Agora só nos resta esperar que outro deus olhe por nós.
Texto: Luciana Sanches
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