A sensação da rede
- arquivo de memórias
- 13 de abr. de 2017
- 1 min de leitura

Comecei tomar forma num galpão de alta tecnologia alemã. Quando meus 14 painéis em couro sintético saíram da impressão, os gomos foram cortados e costurados manualmente pelo habilidoso Helmut, que fez com perfeição minha forma octaédrica truncada utilizando 1432 pontos internos e um último ponto feito com uma ferramenta curva especial para o fechamento preciso.
Assim que me inflaram com as 15 libras, que é o máximo de ar que suporto, senti a pressão que enfrentaria. Claro que não estava sozinha mas fui a escolhida para iniciar a partida naquele 13 de Junho. Jogo do Brasil sempre sonhamos em encontrar nossa amiga rede várias vezes mas, sabe como é, nunca se sabe…
Nessa partida, a única vez que o Brasil atingiu seu objetivo e, nos deu esse prazer da rede, eu estava fora de campo por motivo de lateral. Fazer o quê? Não saberei nunca a emoção que é fazer todas aquelas pessoas enlouquecerem de felicidade e tantas outras lamentarem.
Como se não bastasse, devido a um chip interno, ao final da partida, o juiz me localizou, conduzindo-me a um pedestal onde encontro-me desde então como souvenir nesse museu dedicado ao futebol.
Texto: Paulo Otero
Comentários