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Molduras


Na calada da cama, sono. Memórias engarrafadas. Nenhum abridor. A coleira do relógio presa ao pé da cadeira. Céu plúmbeo nas têmporas. Alguém deveria ter pintado a garota seminua guardando o batom na bolsa. Acrílica sobre pele. A eternidade foi rabiscada num calendário ontem. Você ainda não sabe. Cimentaram um hotel decadente entre nós. Gente despudorada. Entrando e saindo. Despejando alguma espécie de vontade. Um velho blues talvez invada a amplitude do corredor abafando gemidos comprados atrás dos batentes. Como rabiscos ou fotografias deixadas nas paredes, dialogando com rostos vindos de algum lugar. Sem onde. Como o meu nesta tentativa (quase rídicula) de autorretrato, lembrando. O espelho nunca nos conhece.


Texto: Fabio Reoli

 
 
 

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