Laurindo
- arquivo de memórias
- 12 de set. de 2016
- 2 min de leitura

Estimado Laurindo,
Antes de qualquer coisa, anseio que esta simples cartinha o encontre em excelente saúde. Peço desculpas por ter demorado em responder tuas belas palavras tão delicadas e repletas de novidades. Realmente, fiquei espantada com tudo o que você tem vivido aí do outro lado do mar, no oposto do infinito oceano… Sempre fico aqui, no local em que nos conhecemos, ali perto do Canal 4, olhando o horizonte e pensando em você tão distante. Nem me parece verdade. Minha prima Abigail manda abraços e pede para que eu informe a você que o Celso, aquele amigo que você lhe apresentou, está se mostrando uma excelente companhia para ela que, como ele, adora ir ao cinema. Eles têm feito isso quase toda semana, frequentando o Cine Oberdan, que é perto da casa dela. Eu nunca mais pisei naquele cinema. Só de passar ali em frente sinto um aperto no coração pensando naquela tragédia. Abigail e Celso vivem insistindo para eu ir com eles, mas nunca aceito e não tenho feitio para seguradora de velas, que expressão mais inadequada neste caso, peço perdão. Não tive contato com a sua família, eles passam bem? Sua mãe está melhor da bronquite? Fiquei preocupada e, caso morasse mais perto dela, tomaria a liberdade de visitá-la, mas acredito que isso poderia sugerir laços que ainda não temos oficialmente. Desculpe, pode parecer que eu estou solicitando a você algo mais sério. Não me interprete mal. Sei aguardar e vou esperar o seu retorno, são e salvo, para conversarmos melhor. Admiro muito sua coragem e sua pessoa. Mando esta foto junto desta cartinha para que você não tenha motivos para se esquecer de mim. Abigail e Tudinha me convenceram a tirar a foto e eu só cedi quando se propuseram a estar cada uma ao meu lado. Assim, esta foto foi tirada especialmente para você.
Adorarei receber boas novas na tua próxima carta.
Daquela que muito o (palavra riscada) admira,
Gésia
Texto: Sergio Alves
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