Essências de uma imagem
- arquivo de memórias
- 30 de jun. de 2016
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Acho fotos pelas ruas. É sempre uma felicidade achá-las e, ao mesmo tempo, é doloroso para alguém se desfazer delas.
Certo dia, numa rua do Itaim, em São Paulo, cruzei um saco de lixo estourado, com diversas fotos rasgadas; como colecionador desses itens, eu as resgatei. Depois de algum tempo, comecei a remontar essas fotografias com as partes encontradas.
Nessa imagem, vê-se uma árvore vista debaixo de um céu azul. Ela esta fora de foco, provavelmente sem querer, o que para o seu autor deveria ser algo abominável. Aqui, a imagem está fora de contexto (também não sei se um dia ela já teve um).
Quando a vejo, imagino que essa árvore pode ter sido o local de um primeiro encontro, que durante muitos anos foi motivo de comemoração anual para um provável casal e, a certa altura, depois do fim do relacionamento, não haveria mais sentido guardar essa lembrança.
Ou não.
O disparador, por vontade própria (ou por um movimento brusco), registrou naquele negativo algo que a família Xis só percebeu depois da revelação.
De qualquer forma, agora essa foto tem essa nova história e, com todas suas alegrias e dores e equívocos, ela tem alguém que cuide dela: eu.
Texto: Paulo Otero
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