Bucólico
- arquivo de memórias
- 8 de set. de 2016
- 1 min de leitura
Atualizado: 18 de set. de 2018

O desejo tem a velocidade de um Maverick numa estrada poeirenta. Diferente do ônibus caindo aos pedaços que me trouxe até aqui. Tinjam suas bocas com o vermelho do céu das seis. Que já foi. Os pelos clamam desavergonhados quando veem a lua. Alguns uivam, muitos se masturbam, outros trepam. Todos gemem através dos telhados. E eu sentado neste banco, no meio do nada. Ela está lá, em algum ponto do mapa, com seus olhos de neon. Mas os cafés já fecharam e os pés doem. Tem um cachorro sem dono mijando no asfalto. A calma é irritante. Sóbrio, escrevo um poema bêbado no verso de um folheto jogado na sarjeta. Colo com chiclete no orelhão, junto com os anúncios das putas. Nunca será lido.
Texto: Fabio Reoli
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