Aurea mediocritas
- arquivo de memórias
- 14 de dez. de 2016
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Quando foi convidada para a reunião da turma do ginásio, Ana já intuía que seria um fiasco. Quinze anos haviam se passado e não seria o tempo que uniria aquele grupo tão inexpressivo e vazio. Foi ao encontro tentando se justificar, afinal, tinha pouco ou nenhum carinho por aqueles colegas tão enfadonhos.
Vamos lá! É curiosidade: como estarão aqueles panacas? Ah, também marcaram aqui pertinho… Duas quadras de casa… Eu vou, se não gostar, dou meia volta e talvez ninguém me reconheça, afinal não sou mais aquela coitadinha… Quem sabe João aparece. Como ele estará? Era tão lindo… Talvez o único que valesse a pena rever… Nunca me deu bola! Eu era muito errada mesmo… Só estudava e não socializava com ninguém. Pára, Ana! Não fica lembrando bullyngs passados! Isso já foi! Por que você quer ver esses idiotas? Curiosidade, se já superei, tenho que encarar! Eu vou!
Só apareceram João e Cleide, a repetente da turma. Cleide era a mais velha, era aquela que organizava as brincadeiras de mau gosto. Ana logo sacou que antiga rival estava regenerada, talvez um pouco alcoólatra, pois de tempos em tempos despejava algo de uma garrafinha na sua lata de coca cola. E João. Ah… João!
Gay! Com tantas meninas que deram em cima dele, vai ver que enjoou… Muito bem feito! Nenhuma daquelas chatas o merecia! Continua atencioso. Geólogo, isso explica esse visual hippie. Que bom que está feliz!
-Vamos tirar uma foto e postar no grupo! Quem perdeu, perdeu!
E assim, Ana juntou-se à mediocridade que tanto execrava.
Texto: Rogerio Nascimento
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