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Antes do selfie


Em 1997, não se conhecia a palavra selfie, e muito menos pau de selfie. Quando as pessoas queriam tirar uma foto de si mesmas, sozinhas ou acompanhadas, pediam para alguém tirar. Assim fez Anita, dona de uma lojinha de produtos eletrônicos no PromoCenter da rua Augusta, quando viu que se aproximava um rapaz, bonito, sarado, bronzeado e, o mais importante, muito parecido com um ator do qual ela gostava muito: Patrick Swayze. Quando ele estava bem perto, Anita, sem um pingo de timidez, disse para ele: “Podemos tirar uma foto juntos? É que você é muito parecido com meu ator favorito, aquele do filme Ghost, do Outro lado da Vida”. Não era a primeira vez que achavam Antônio (esse era o nome do rapaz) parecido com Patrick Swayze, mas nunca tinham pedido para tirar uma foto com ele. Não achou ruim, até gostou, ele se julgava bonito e tinha malhado muito para ter o físico que tinha. “Porque não?”, ele respondeu, “Vamos tirar”. Anita pegou sua câmera, ligou, pediu para sua vizinha de loja tirar a foto e disse para Antônio ficar do seu lado, atrás do balcão. A moça apontou a câmera para eles, que não sabiam muito bem como ficar. “Sorriam”, disse. Os dois sorriram. Antônio ficou bem perto de Anita e apoiou sua cabeça na testa dela, num gesto que parecia de carinho e proteção. Click. Ficaram alguns segundos sem saber o que dizer. Antônio tomou a iniciativa, se despediu de Anita e continuou passeando pelo PromoCenter. Anita começou, para fazer algo, a arrumar os produtos que tinha sobre o balcão. Nunca mais se viram. Só ficou registrado na foto esse instante de suposta amizade.


Texto: Diego Liguori

 
 
 

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